Kléber Lima aponta caminhos para lidar com quem desenvolve apego excessivo aos bonecos realistas
Nas últimas semanas, a mídia, as redes sociais e até o Congresso Nacional foram tomados pelo debate em torno dos bebês reborn, bonecos hiper-realistas que imitam recém-nascidos. Até a metade de maio, pelo menos quatro projetos de lei tramitavam na Câmara dos Deputados com propostas para restringir o atendimento preferencial em repartições públicas a pessoas que carreguem esses bonecos no colo.
Para o pastor e psicólogo clínico Kléber Lima, apresentador do programa Família Hoje, da RTM Brasil, mais do que uma polêmica, o fenômeno revela uma crise relacional contemporânea: a desconexão crescente das relações humanas na cultura atual.
Segundo Lima, todas as gerações enfrentam algum tipo de epidemia social. A deste tempo, diz ele, é marcada pela infantilização. “Vivemos uma epidemia de imaturidade psicológica. O manejo maduro das emoções tem se tornado cada vez mais raro. Jovens adultos, em idade fértil e fisicamente aptos a formar famílias, muitas vezes não o fazem por estarem presos a infantilidades emocionais. Em muitos casos, acabam ‘brincando de boneca’ porque o mundo infantil parece menos arriscado”, explica.
Para o especialista, esse comportamento não surge por acaso: há uma indústria por trás disso. “Existe um mercado que alimenta a infantilidade e lucra com produtos que apelam diretamente a quem sofre de transtornos psicológicos”, afirma.
Um mercado em ascensão
O universo dos bebês reborn movimenta cifras consideráveis. Os bonecos podem custar entre R$ 300 e R$ 1.500. Há até “maternidades” que simulam partos e vendem kits completos de “adoção”. Segundo estimativas de lojistas, o mercado cresceu 30% no Brasil no último ano. Em Campinas (SP), uma fabricante chega a faturar R$ 300 mil por mês com as bonecas.
Apesar do sucesso comercial, Lima faz um alerta: por trás dos números está um problema sério. “Todo transtorno psicológico, como o apego exagerado a bonecos reborn, prejudica as relações interpessoais. Isso se traduz em conflitos, rompimentos e ainda mais fragilidade nos vínculos familiares e sociais”, aponta.
Caminhos para acolher e ajudar
Diante de casos de dependência emocional com os bebês reborn, a atuação da família, dos amigos e da igreja deve ser firme, mas cheia de empatia. O pastor orienta que a abordagem envolva conversas sinceras, apontando os prejuízos reais que esse comportamento pode causar.
No contexto do aconselhamento pastoral, a orientação deve se apoiar em princípios bíblicos, sempre com a participação dos familiares. “Esse direcionamento deve incluir confrontos espirituais e emocionais, e, nos casos mais graves, encaminhamento para avaliação clínica e possível uso de medicação”, destaca Lima.
Tema será abordado no programa “Família Hoje”
Na próxima sexta-feira (13), o programa Família Hoje trará uma edição especial sobre o fenômeno dos bebês reborn e seus impactos nas relações familiares. Em cada episódio, Lima responde perguntas do público sobre temas contemporâneos que afetam as famílias brasileiras, unindo sua visão pastoral à experiência como psicólogo clínico.
O programa vai ao ar às segundas, quartas e sextas, às 11h30 (horário de Brasília). Pode ser ouvido pelo site da RTM ou pelas principais plataformas de podcast. Basta procurar por Família Hoje no campo de busca.
Sobre a RTM
A RTM Brasil é uma missão cristã dedicada à produção de conteúdos que edifiquem as famílias e fortaleçam a fé cristã. A missão integra a Trans World Radio (TWR), presente em mais de 190 países. No Brasil desde 1970, a RTM alcança 20 estados com o Projeto Antenas e é responsável pela produção do devocional Presente Diário, um dos mais lidos e ouvidos do país. Saiba mais e ouça a programação em rtmbrasil.org.br.