Veio da Paraíba para vencer no Rio de Janeiro

por em 23/08/2012 | 7:16 pm | Imprimir

TESTEMUNHO PROFESSOR AGUINALDO ATAIDE

Em 1974 eu saí de João Pessoa, na Paraíba, e vim para o bairro de Campo Grande no Rio de Janeiro com 17 anos. Minha mãe era diabética, sofria muito com a doença e mais ainda pelo fato do meu pai ser um homem muito mulherengo. Ele tinha mulheres na rua e essa tristeza acabou prejudicando a saúde da minha mãe, até que um dia ela passou mal e faleceu aos 44 anos. Minha mãe foi um exemplo de vida para mim, minha heroína.  Dois meses após o enterro dela, meu pai colocou uma de suas mulheres dentro de casa. No começo correu tudo bem, mas a partir do segundo mês ela começou a nos maltratar. Nos reunimos para conversar com nosso pai, mas ele não acreditava que ela era ruim conosco. Então nós decidimos sair todos de casa, a maioria dos meus irmãos foi para casa de parentes próximos. Como eu sabia que tínhamos um tio no Rio de Janeiro, pedi que meu pai ligasse perguntando se eu podia vir para cá ficar na casa dele. Hoje sei que Deus já tinha um propósito em tudo isso. Quando cheguei meu tio conseguiu um emprego para mim como vendedor de livro. Conheci o Rio todo vendendo livros, gostava do que fazia. O dono da empresa confiava tanto de mim, que em seis meses ele me promoveu a cobrador. Só que na época eu ainda não tinha meus documentos, então precisei voltar ao nordeste para resolver toda a documentação. Quando voltei eles assinaram minha carteira de trabalho. Foi nessa época que comecei a namorar minha esposa, eu já estava com 18 anos. Depois de alguns anos ali, um amigo me chamou para trabalhar na área da Construção Civil como auxiliar de apontador e eu fui. Como tenho o hábito de ler muito jornal, uma vez li no Jornal O Dia uma matéria que falava sobre uma lei federal que tinha saído, obrigando as empresas a terem técnicos em segurança do trabalho. A matéria explicava que esse tipo de profissional estava em falta no mercado. Decidi me matricular no curso, que na época era ministrado na Faculdade Gama Filho. Em seis meses eu estava formado, mas na empresa que eu trabalhava não quiseram me dar uma oportunidade. Comecei a mandar currículos para as empresas que tinham vagas disponíveis e uma dessas me chamou. Depois que comecei a trabalhar na minha área foi só vitória! Fui crescendo, me tornando um profissional experiente, depois me casei.  Nesses anos passei por grandes empresas, inclusive viajei para fora do País, fui a Europa, EUA, pois eu fiz o curso numa fase que não existia esse tipo de mão de obra qualificada. Trabalhei na Petrobrás onde tive a chance de aprender o inglês. Entãofoi através desse curso eu pude também enxergar que a faculdade que eu queria fazer de Pedagogia estava na minha frente o tempo todo. Depois de formado eu ainda fiz pós-graduação em Psicologia do trabalho. Foi aí que surgiu o meu desejo de abrir uma escola técnica. Comecei dando aulas no Senac, depois em cursos, até que iniciamos a primeira escola em Angra dos Reis, num espaço pequeno. Fizemos tudo pela fé, porque não tínhamos dinheiro. Depois inauguramos em Mangaratiba, Itaguaí, Campo Grande, Nova Iguaçu, Caxias, Itaboraí, Macaé e outros estados. Já se passaram 16 anos desde que inauguramos o primeiro curso e hoje somos uma das maiores escolas técnicas do Rio de Janeiro, com mais de 2.000 funcionários em todo o Brasil. Tudo para honra e glória do nome de Jesus. Hoje sou um grande empresário, mais continuo simples, pois sei de onde vim e conheço as minhas raízes. É muito triste ver pessoas que começam com Deus e depois que crescem abandonam a Deus e principalmente se transformam em pessoas mesquinhas, altivas e soberbas se achando melhor que as outras. Sempre me mantive aos pés do Senhor, sou membro da mesma igreja há 33 anos. Nada foi fácil, Deus sabe o quanto sofri e chorei, mas o tempo de cantar e de ser exaltado por Deus, e não pelo homem chegou, em minha vida. Fidelidade não tem preço e acredito que o justo viverá pela fé e desfrutará o melhor desta terra sim. Quero ver o povo de Deus também comendo o melhor dessa terra, mas temos que fazer a nossa parte, pois aquilo que podemos fazer Deus não vai fazer. Orar é muito bom, mas é preciso ter ação. Se não temos tudo o que queremos é porque não nos preparamos para ter tudo que queremos.

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