“…A geração do baile gospel, do show gospel, da boate gospel, da homoafetividade gospel”

Por Monique Suriano
moniquesuriano@yahoo.com.br

Uma das pregações mais marcantes do 21º Congresso da União de Mocidade da Catedral das Assembleias de Deus em Santa Cruz foi a ministrada pelo pastor Antônio Márcio, da Igreja Assembleia de Deus de São Sebastião Ministério Madureira em Brasília (DF), no mês passado. Ele ministrou sobre a vida de Davi no encerramento da festa.  “No templo tem ímpio e tem justo, tem quem não serve e tem quem serve. Quem é você?”, indagou o pastor durante a mensagem.  Após a ministração, Antônio Márcio concedeu uma entrevista ao JRE e contou seu testemunho, falou sobre o ministério da pregação, e a respeito da nova geração de cristãos. “Existe uma geração que o Senhor está vomitando. A geração do baile gospel, do show gospel, da boate gospel, da homoafetividade gospel”, disse ele. Confira a entrevista na íntegra.

JRE: Como você avalia essa nova geração de cristãos?
Pr Antônio Márcio: Eu defino essa geração com dois eixos: Laodiceia e Filadélfia. Laodiceia é aquela que se acha rica, poderosa, que evoluiu intelectualmente, mas que para Deus é nua, cega, hipócrita. Laodiceia não é nem quente, nem fria. Mesmo com a riqueza da medicina, mesmo tendo os maiores artesãos de ouro, tecido… Diante de Deus Laodiceia tinha uma pobreza espiritual. Existe uma geração que o Senhor está vomitando. A geração do baile gospel, do show gospel, da boate gospel, da homoafetividade gospel.
No entanto, existe uma geração, dentro dessa geração, que é um povo peculiar, uma geração separada, que não serve a Deus por obrigação. Uma geração que não tem medo do inferno, mas tem saudade do céu. Essa é a geração de Filadélfia! Uma geração que não é popular, mas é taxada como fanática, como ultrapassada. Uma geração que mesmo com pouca força tem unção, tem amor, tem prazer em servir ao Senhor. Uma geração que quer ser santa, a geração do verdadeiro avivamento, a geração do arrebatamento.
Quando Deus levantou João Wesley para revolucionar a Inglaterra, ele dizia assim: “Senhor dai-me 100 homens que amem mais a ti do que a eles próprios”. Que o Senhor nos dê esses 100 homens nessa geração. Homens que revolucionem o mundo, homens que amem mais a Deus e menos a si próprios.

JRE: Como se deu sua conversão?
Pr Antônio Márcio: Existe uma passagem bíblica em que Paulo diz que Deus escolheu as coisas que não são, para confundir as que são; e que Deus escolheu as coisas loucas, para confundir as sábias; e que Deus escolheu as coisas desprezíveis e vis deste mundo, para serem o evangelho de Cristo. Paulo Freire diz que a educação não muda o mundo, mas muda o homem, e o homem muda o mundo. Então eu costumo dizer que o evangelho muda o homem para que ele mude a sociedade e o mundo.
Eu sou filho de uma favela conhecida como inferninho, que fica em Fortaleza (CE). Eu nasci num ambiente de muita miséria, pobreza, vícios, exclusão social. Eu era dependente do vício do álcool e um dia pregaram o evangelho para mim; o evangelho clássico: que Jesus salva, cura, liberta, batiza com o Espírito Santo, e leva para o céu. E foi o suficiente para que eu fosse transformado. As duas ciências que falam do homem, antropologia e sociologia, dizem que o homem é o produto do meio em que ele vive. Eu sou alguém que quebrou paradigmas.
A síntese do meu testemunho é que eu era uma pessoa vil, desprezível, excluído nas ordens espiritual, social e cultural, cresci sem um ambiente de estrutura familiar, e o evangelho transformou a minha vida. Primeiro ele transformou a minha essência, a minha natureza com o perdão de Cristo e depois me deu um espírito de excelência. Jesus me transformou num ministro do evangelho e hoje minha missão é influenciar vidas com este evangelho transformador, não um evangelho denominacional ou de burguesia. Eu era uma maldição para minha família, mas o evangelho transformou a maldição em bênção.

JRE: Como foi que você se identificou com o ministério da pregação?
Pr Antônio Márcio: Em Gálatas 1.1 diz assim: “Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos”. Eu sempre estudei para ser pastor, dirigi a primeira igreja com 19 anos. Mas essa coisa de ser pregador não ardia em meu coração. Só que de repente os convites começaram a surgir e eu fui despertado para essa questão. O problema é que hoje em dia existe um modismo denominacional de que o púlpito é lugar de ostentação, de holofote. Eu costumo dizer que “você precisa estar onde você é necessário, não onde você é suportado”. Quando Deus te chama para a pregação, ele te chama para ser um profeta, não um artista. Eu tenho que ser um instrumento da resposta de Deus para a oração de um povo. Nossos corações precisam estar ardendo de amor por Deus e pelas almas. Não devemos ser um profissional de tribuna, um orador, mas profetas cheios do poder do Espírito Santo. Deus não me chamou para investir em templos, Deus me chamou para investir em vidas. Essa é a minha chamada!

Qual a característica que o senhor mais admira em Jesus?
O que mais me deixa “louco” por Cristo é a humanidade dele. Mesmo sendo Deus e soberano, Ele escolhe se esvaziar para ser igual a mim. Então Ele é o “cara” que me entende, que me ama incondicionalmente. Isso, para mim, é fantástico.