Como é ser esposa de pastor?

fevereiro 4, 2018 0 Comentário »
Duas mulheres de Deus, que tem como missão auxiliar o marido no altar, revelam os desafios, segredos e dificuldades do casamento com a autoridade máxima da igreja

Por Renata Pires

Ser esposa de pastor é um desejo de boa parte das mulheres cristãs. O fato de ela estar sempre bem arrumada, sorridente e passar a impressão de ter uma vida completa, inclusive espiritualmente, fascinam as meninas que se espelham nelas. O que as pessoas esquecem são os desafios que a esposa do pastor precisa enfrentar diariamente, como abrir mão do marido em prol da obra de Deus; ou ter que resolver questões sobre os filhos sem a presença da figura masculina. Somente alguém com uma vida no altar é capaz de tão grande sacrifício. É o caso da dona Marli Pereira Guerci Maia, de 54 anos, esposa do pastor Israel Maia, da Assembleia de Deus de Bento Ribeiro e da Elaine Dias Ferreira dos Santos, da Igreja Apostólica do Coração de Deus na Rocinha, casada com o pastor Carlos Eduardo dos Santos.

Dona Marli se divide para executar com excelência as multitarefas diárias de casa, trabalho, igreja, cuidados com os filhos e marido, além dos compromissos com a igreja. “É bem difícil e complicado ser a esposa do pastor. Tento dar conta da minha família, igreja, amigos e trabalho”, revela Marli. “Quando tem trabalho na igreja tento planejar tudo com antecedência. Atualmente tenho ajudante para cuidar da casa, mas nem sempre foi assim”, completa ela que da aula na escola dominical, para a CIBE, dirige o culto das quartas-feiras, além de coordenar outras atividades. Entretanto, não abre mão da companhia do marido. “Sempre entendi que as pessoas da igreja precisam do pastor, mas exijo dele a presença como pai e marido. Dá pra conciliar todas as coisas”, explica ela.

Elaine Dias também sabe lidar com a correria do dia a dia. Ela acompanha o marido nos trabalhos da igreja e atende muitas mulheres por dia, até pelo WhatsApp, além de cuidar do filho de cinco anos e trabalhar fora. Para ela, a ausência do marido no lar é a parte mais difícil: “Surgem momentos quando mais preciso dele, ele não está. Às vezes ele precisa ficar três dias fora. A solidão é uma coisa horrível, mas sei que devo confiar, esperar e ser de Deus”, desabafa Elaine que fala sobre o segredo para manutenção do casamento no altar: “Estou sempre orando pelo meu esposo, igreja e família. Essa é a minha arma, assim como o jejum”- ensina Elaine que é casada há cinco anos; “Procuro manter-me alerta para todas as coisas que acontecem. E peço a Deus muita força também, para ser sábia”, conta Elaine.

E nesse contexto, as cobranças por ser esposa de pastor são inevitáveis. “Eu me cobro muito, tanto como, mãe, esposa e profissional. Deixo bem claro para a igreja, que faço o meu melhor” relata Marli. Para Elaine a intimidade com Deus é fundamental. “Agora mesmo estou em uma campanha de quarenta dias de oração e jejum. Se eu não tiver comunhão com o Pai como vou transmitir alguma coisa para alguém?”, indaga. Quando o assunto é o papel da esposa a dona Marli, que está na obra de Deus desde os seis anos, conta como fez para equilibrar a vida profissional com o ministério do marido, que na verdade, é dela também: “Não deixei minha profissão. Aposentei-me e fiz novo concurso. Deus me permitiu entrar novamente para o Município e hoje trabalho com crianças especiais, diz dona Marli que também é psicanalista e concilia a agenda para atender no consultório e na igreja. “Agradeço a Deus por tudo”, finaliza dona Marli.

É da natureza feminina a tendência de puxar para si toda a responsabilidade de um lar e casamento. Se para uma mulher “comum” já é pesado carregar a carga de uma família inteira, imagine de uma esposa que sustenta espiritualmente seu marido em relação aos problemas da igreja? Para driblar a falta de tempo, é comum que pessoas adotem listas de prioridade para dar conta de tudo. E para os cristãos três coisas são mais importantes: Deus, a família e a obra do Senhor. Sabendo que quando agrada a quem ama, é possível realizar as três tarefas de uma só vez. “Meus filhos e marido gostam de comida caseira e eu gosto de cozinhar.”, diz Marli que têm dois filhos adultos. Já Elaine tem um filho de cinco anos que acompanha a mãe em todos os eventos da igreja: “Ele sempre está envolvido com a rotina da igreja e gosta de tudo isso”, diz ela com alegria.

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